Lojas Paraíso: A tentação não era só o preço…

1 de julho de 2012

Por Pedro Paulo Galindo Morales

As Lojas Paraíso LTDA foi uma rede de lojas de móveis e eletrodomésticos de muito sucesso em Fortaleza/CE tendo como proprietário o Sr. Paulo Fernandes que começou sua vida profissional com representante comercial.

A rede surgiu na primeira metade da década de 80 e sua primeira loja instalou se na Rua Sólon Pinheiro com Duque de Caxias no centro da cidade de Fortaleza.

Inicialmente eram vendidos apenas colchões e logo depois foram introduzidos os moveis e eletrodomésticos, a loja era pequena, mas muito bem localizada e arrumada, o Sr. Paulo ficava sempre a postos em sua mesa para atender os clientes e tinha no crediário seu principal atrativo.

A segunda loja foi montada no centro de Fortaleza em uma das esquinas mais movimentadas em um período que grandes lojas como Roncy e Jumbo Eletro (Antecessor do Hipermercado Extra) estavam deixando o mercado. Paulo Fernandes aproveitou essa oportunidade e começou a montar lojas em pontos antes ocupados por outras lojas de eletrodomésticos.

A empresa de Paulo Fernandes investia muito em marketing, eram paginas inteiras nos jornais anunciando as ofertas de eletroeletrônicos e moveis muitos deles eram coloridos um luxo para a época, seu slogan era “Onde a tentação é o preço” e seu logotipo uma maçã, em 97 a Paraíso chegou  aplicar R$ 3,5 milhões em marketing .

Em 1998 a Paraíso possuía 55 pontos de venda no Nordeste, localizados nos estados do Ceará, Pernambuco, Paraíba e Rio Grande do Norte, empregando em torno de mil funcionários alem de um amplo centro administrativo e depósito em Parangaba e uma frota de cerca de 40 caminhões para entrega e chegou a comprar o antigo Cine Diogo em Fortaleza onde funciona hoje um Shopping Center do mesmo nome e  um prédio com oito andares com varias salas comerciais alugadas, talvez esta compra tenha colaborado para a diminuição do capital de giro da empresa.

Em Fevereiro 1998 as Lojas Paraiso entram com um pedido de concordata preventiva na vara de falências e concordata do fórum de Fortaleza, alegando no pedido que a medida é resultado do baixo fluxo de vendas no varejo, que sofreu uma redução de 60% em janeiro de 98 em relação a 97, das altas taxas de juros cobradas pelos fornecedores, além do elevado índice de inadimplência, em torno de 10%. Na época, o passivo acumulado era de mais de R$ 67 milhões menos de um ano depois, o passivo havia sido reduzido para pouco mais de R$ 29 milhões a Paraíso contava apenas com 18 lojas, em três Estados (Pernambuco, Rio Grande do Norte e Ceará) e emprega 400 pessoas.

A falência das Lojas Paraíso, decretada no dia 30 de novembro de 1999 quando vários clientes ficaram sem ter como pagar seus crediários. O síndico da massa falida, Máximo Fortino na época informou que o grande problema da Paraíso na época foi a alta taxa de inadimplência. “A massa falida deve, hoje, menos de R$ 30 milhões. No entanto, tem mais de R$ 42 milhões a receber em pagamentos atrasados, isso sem contar com os imóveis e materiais em estoque pertencente à rede Paraíso”, disse.

Ninguém pode negar que a Paraíso fez história e deixou muitas saudades no comércio de Fortaleza e do Nordeste, pelo estilo de gestão empregado pelo seu controlador Paulo Fernandes, que era facilmente visto no centro de Fortaleza visitando suas lojas e cuidando de detalhes, e pela sua agressiva política de marketing.

Infelizmente o índice de inadimplência e o impasse com fornecedores, como a Gradiende, que atrapalhou a repactuação de prazos de pagamentos com os fornecedores, estão entre os motivos que a levaram a falência.

Leia também:Romcy: A maior rede de lojas de departamento que o Ceará já teve

Fonte:

www.dpnet.com.br/anteriores/…/econo6_0.html

http://www2.uol.com.br/JC/_1999/1512/ec1512n.htm

http://www2.uol.com.br/JC/_1999/0312/ec0312j.htm