Indústrias Matarazzo: a maior empresa brasileira de todos os tempos- Ultima Parte

Analisando a queda do Império.

Escrito por Pedro Paulo Galindo Morales.

A historia do Grupo Matarazzo é riquíssima de exemplos de dedicação e empreendedorismo, mas também podemos analisar os erros de gestão cometidos principalmente por Chiquinho Matarazzo quando esteve a frente desse fabuloso império alguns números confirmam o que estamos escrevendo, o complexo empresarial podia ser comparado à solidez do Império Britânico chegou s empregar 6% da população paulistana nas suas 365 fabricas, hoje o patrimônio seria equivalente a 20 bilhões de dólares e nos anos 30, a renda bruta do conglomerado era a quarta maior do Brasil. Faturavam mais que Matarazzo apenas a União Federal, o Departamento Nacional do Café e o Estado de São Paulo diante dessas informações podemos ter a ideia da importância das S/A Industrias Reunidas Francisco Matarazzo.

Segundo o Administrador Geraldo Collaziol no seu artigo Os Erros dos Matarazzo onde acrescento algumas informações, os principais erros cometidos foram:

  1. A família Matarazzo não se manteve unida quando Ermelino Matarazzo que tinha o apoio de todos para comandar os negócios do Conde Francesco faleceu prematuramente. A eleição do sucessor pelo Conde recaiu sobre o 12º filho que era jovem e inexperiente, quando Francisco Matarazzo Junior, o Chiquinho assumiu os negócios começou um grande atrito em família que levou a uma dissolução societária alguns membros da família venderam suas partes na sociedade que eram comprados com recursos oriundos do capital das próprias empresas, comprometendo sua solidez e interrompeu as modernizações e ampliações, limitando seu crescimento e tornando as empresas obsoletas,
  2. O cenário industrial da época exigia agilidade e especialização e o conglomerado devido a sua falta de modernização ainda produzia uma infinidade de produtos, mas já não era líder de vendas de nenhum deles, pois já não tinham a mesma qualidade dos tempos áureos como resultado o Grupo foi perdendo espaço para a concorrência.
  3.  Devido a falta de analise das tendências do mercado, devido a sua verticalização ele não se especializou em nenhum setor o que não ocorreu com o Grupo Votorantim que hoje emprega 30.000 pessoas. Tem fábricas de cimento, de papel e celulose e metalúrgicas (alumínio, zinco e níquel), siderúrgicas, além de bancos, fábricas de suco Citrovita, fazendas de reflorestamento, entre outros negócios, em 2001 o Grupo iniciou um processo de internacionalização dos seus negócios de cimento, metais entre outros estando presentes diretamente em mais de 20 países, se formos analisar a Votorantim atua em setores muito parecidos em que a Matarazzo atuava, por exemplo, o Cimento Zebu até hoje produzido pela CIMPOR ou o Macarrão Petybom produzido pela J. Macedo alimentos ou o sabonete Francis uma fatia de 12,2% do mercado que é produzido pela Bertim em parceria com a Unisoap.. A comparação aqui colocada tem razão de ser, pois tanto o Grupo Matarazzo como o Grupo Votorantim tiveram suas raízes em Sorocaba, interior de São Paulo , na mesma época e no mesmo ramo comercio de alimentos e depois migrando para uma fabrica de tecidos. Outro episodio curioso em 1935 cursavam o 2º ano primário do Liceu Rio Branco, na mesma turma de Chiquinho Matarazzo o Antônio Ermírio de Moraes.
  4. Após a segunda guerra mundial, a economia nacional estimulava a industrialização de bens de capital e bens semiduráveis. O então presidente Juscelino Kubitschek convidou Chiquinho a participar de uma sociedade, para instalação de uma montadora de automóveis no Brasil, a Volkswagem. O Conde desdenhou, ou talvez, não tenha levantado informações suficientes para uma melhor avaliação da tendência da época, e não aceitou associar-se no projeto, enquanto isso a Votorantin ingressava, então, nos setores de mecânica e de máquinas, como a metalúrgica Atlas, montada em São Paulo, em 1944, que acabou produzindo equipamentos para acionar as outras indústrias.

Um conglomerado de tamanha magnitude, não foi a ruína em função de apenas quatro fatores. Houve outros erros e gastos exorbitantes na solução destes e outros confrontos familiares envolvendo as separações litigiosas que ocorrem em uma família composta de vários membros como é a Matarazzo

Segundo Domingos Ricca, existe um padrão histórico onde a empresa tem uma fase inicial de crescimento e expansão, sob a direção de seus criadores. Em seguida vem a segunda geração, que pode ser chamada de ”administradores do sucesso”. Nesta fase, a empresa continua indo bem, tendo lucro, pode até ser líder no mercado, mas deixou de inovar. A terceira gestão é a dos administradores da estagnação, onde surgem concorrentes mais competitivos e mais criativos onde gestores não conseguem fazer nada para mudar esta rota de declínio para ele o Grupo Matarazzo é um exemplo disso passou de líder nacional, a um pequeno grupo com interesses agrícolas e imobiliários.

Para Fábio Peixoto o caminho de diversificar e verticalizar produzindo a mais variada gama de produtos funcionou no começo do século XX, quando não havia indústrias no país. À medida que foi surgindo competição, em qualquer dos seus produtos o grupo passou a ter algumas ou algumas empresas mais competentes do que ele. Aqui entra o conceito americano da “core competence”: uma empresa deve se dedicar àquilo em que ela é especialmente boa o que não foi o caso da Matarazzo conta-se que antes da crise vendeu apenas uma empresa, e não foi por necessidade era uma fábrica de fósforos, que ele não conseguia integrar ao resto de suas fábricas. Aliás, dizem que ele ganhou um bom dinheiro com o negócio.

A sua historia é realmente fantástica nesta série de quatro artigos vimos como um espirito empreendedor é realmente de muita importância para a consolidação dos negócios, ao mesmo tempo em que quando se esta no mercado não se pode deixar de fazer a leitura desse mercado desprezando as oportunidades e subestimando as ameaças, podemos concluir que após a segunda guerra mundial, a economia nacional estimulava a industrialização de bens de capital e bens semiduráveis e o Conde Chiquinho e sua equipe não soube ler a tendência do mercado e não corrigiu sua rota de navegação e a exemplo do Titanic, que mesmo dispondo de algumas das mais avançadas tecnologias disponíveis da época e foi popularmente referenciado como “inafundável” em um folheto publicitário de 1910, da White Star Line, sobre o Titanic, alegava que ele fora “concebido para ser inafundável” naufragou em virtude de demora na comunicação com a Ponte em que preciosos segundos se perderam até que o comunicador foi atendido e mesmo corrigindo a rota se chocou com um Iceberg.  Foi o que ocorreu neste caso não cabia no entendimento da família Matarazzo que as IRFM eram inquebráveis, mesmo quando Maria Pia ao assumir o grupo põe em prática um plano que visa concentrar a empresa em ramos que na sua visão eram os principais ramos de atividade da Matarazzo, o papel, químico e álcool, não houve mais tempo, o desastre era inevitável.

Demolição da Fábrica de São Caetano

 

 Bibliografia utilizada para escrever a série:

Os Matarazzo http://recantodasletras.com.br/artigos/371181

“Sou nacionalista, mas não sou burro”  http://veja.abril.com.br/030698/p_136.html

O caso Matarazzo http://www.portaltudoemfamilia.com.br/cms/?p=106

No Brasil, 90% das empresas são familiares http://www.sebrae-sc.com.br/newart/mostrar_materia.asp?cd_noticia=10410

Os Erros dos Matarazzo http://faculdadedoerro.wordpress.com/2009/01/08/os-erros-dos-matarazzo/

Escombros do império http://epoca.globo.com/edic/19990628/matarazzo.htm

Everton Calício : pesquisador e biógrafo sobre as Indústrias Matarazzo e Família Matarazzo no Brasil Colunista do Metrô News- Memórias da terra da garoa. Contato calicio@gmail.com

Pesquisas e leituras feitas em revistas,  jornais e internet.

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